Algumas vezes fui repreendido e muitas vezes mal compreendido por gostar bastante de arte alternativa. Busco em cada trabalho retratar uma maneira jovem e pensadora a respeito da vida, e socializar as questões do ontem e hoje. Pois chega de instalações, chega de arte pseudoconceitual, chega de dirigismos! E vamos parar de encher lingüiça.
Gostaria hoje falar de música. Pois ininterruptamente considerei que música boa tem sempre espaço em qualquer lugar. E o bom disso tudo é que o nosso patrimônio artístico e cultural picoense continua produzindo e muito bem, e sem qualquer apoio ou incentivo, diga-se de passagem. E espero que os talentos em gestação que hão de prolongar a sua vitalidade, continuem produzindo. Mesmo sabendo que no Brasil e especial Picos há poucas alternativas para o contato com a Arte.
Sou cria da MTV - querida emissora, que um dia me fez conhecer perolas musicais, incluindo compositores e artistas nacional e internacionalmente conhecidos. Onde era fácil ver Guns N´Roses, Duran Duran, Simple Minds, Ramones, Madonna, Michael Jackson, Engenheiros do Hawaii, Titãs, Paralamas do Sucesso, entre outros na programação diária, junto e misturado. Onde vi Marina, Caetano, Lulu Santos e João Gilberto e o maior poeta da geração 80 - Cazuza. A emissora em que apreciava os desenhos alternativos, como Beavis e Butt-head, Garoto Enxaqueca e até o maravilhoso e consagrado Simpsons. Programas de Rap samba, de shows, de cinema, de entrevista, enfim, de muita coisa. Ás vezes necessitava dela como precisava da revista ShowBizz, às vezes apenas para ver por ver, mais com certeza sempre me lembro dela como algo pra fazer quando não tenho nada a fazer.
Mesmo morando numa província, pois nunca a MTV foi aberta aqui, mas em todas as minhas viagens ou quando estudava em Teresina, Fortaleza e Recife, eu ficava ligado o máximo de tempo possível pra aproveitar aquela chuva de música e ficava encantado e espantado com a profundidade do envolvimento de um exótico Brasil cheio de cultura, musicalmente falando, deste jazz, blues, samba e ska.
E meu maior arrependimento como audiófilo foi ter demorado a descobrir as maravilhas da soul music, que atualmente animam meus fins de semana, quando estou em casa escrevendo.
Por isso que eu hoje compreendo os meninos radicais que ligam para a rádio “xingando” o que não é do gosto deles. A maior lição, porém, é outra: Tentem levar à sério, quando o assunto é Cultura.
Lembro ainda quando ganhei minha primeira revista especializada no assunto, ela que virou sinônimo de música no Brasil e já foi relançada três vezes. Deixou de ser uma publicação mensal em 2007 para se transformar num selo de projetos especiais relacionados à música. A SHowbizz entrou em minha vida quando o país vivia a explosão do chamado "Rock Brasil", com jovens bandas alcançando o estrelato a bordo de sucessos massivos nas FMs e de um bem-azeitado circuito de shows (nas danceterias). Pela primeira vez, se falava em "público jovem" no Brasil, cultura abafada por 20 anos de ditadura militar.
E a própria revista em seu release conta isso. Quando afirma o que quero explicar nesse texto: “As redes de FM eram uma realidade - durante o governo de José Sarney, foram distribuídas 958 concessões, uma por quinzena -, o que solidificaria rapidamente a prática do jabaculê. A aposta das gravadoras passa a ser os chamados "artistas bregas", como Rosana, Chitãozinho & Xororó e Leandro & Leonardo, e a lambada de Reflexu's da Mãe África, Beto Barbosa e Sara Jane. Em maio de 1990, com a estréia da MTV Brasil, há um maior interesse de toda a mídia nacional em artistas estrangeiros. A segunda edição do Rock in Rio, em janeiro de 1991, é toda pautada por artistas em alta-rotação na emissora, como Guns N'Roses, New Kids on The Block e Faith no More, já em 1993 a matéria de capa revela a preocupação da revista com a renovação do cenário brasileiro: "A nova MPB", com artistas então desconhecidos como Carlinhos Brown, Skank e Okotô”, diz o texto. E acrescento que havia letras cruas, diretas, criticando a situação do mundo e tomando as rádios de surpresa.
Por isso citei a MTV e lembro bem que quando, morava em Recife, as rádios e principalmente a MTV começou a mostrar um som novo, misturando guitarras distorcidas com tambores e muita gente torceu o nariz, típico do público brasileiro. Mas à medida que Chico Science ia cantando as coisas mudaram. Quem conhece, sabe do que estou falando e vai entender nas entrelinhas a mensagem que esse poeta nos deixou: “Ô Josué, eu nunca ví tamanha desgraça, Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça”.
Junto da Nação Zumbi, Chico Science foi responsável por uma grande virada na música nacional, afinal nos anos 80 as bandas faziam rock, e nos 90 cada um misturava o que dava, e com eles foi o pontapé inicial.
Portanto, a dica é procurar entender a MPB, muita gente até hoje tem um preconceito enorme, mas ao entender, vai ver que ela é simplesmente igual a mim e igual a você.
Enfim saudosista que sou, adorei recordar os bons tempos e esse é um pouco, mas pouco mesmo dessa história sombria. Quando digo sombria, observo que o mercado publicitário passa por um superaquecimento, com a criação de toda uma gama de produtos e serviços direcionados ao público jovem, sem se importar com esse jovem. Para dar vazão a publicações direcionadas ao lucro pelo lucro, quantidade, sem qualidade. E assim gerações são perdidas. Espero que o meu sucessor, anos depois não venha escrever artigo falando do Rebolexionnnnn, como arte alternativa do ano de 2010. Fica a reflexão.
Reafirmo que sempre fui absurdamente popular, desprovido até de princípios básicos. Minha afinidade com o ecletismo, tanto musical, como espiritual, me trouxe novos sons e estilos. Pois creio que meu conceito microcósmico sendo evidenciada no mundo macrocósmico se estende ao falar de música, que reflete a frase de Mahatma Gandhi: “Você tem que ser a mudança que quer ver no mundo”.
E mesmo confessando a vocês esse meu lado enorme, supersólido, planetário, de alcance emocional, confesso que está difícil escutar o que estão produzindo Brasil a fora atualmente, pois garanto algumas que tem essa "suposta" pobreza de criatividade são feitas para que as pessoas acabem dançando. Será que é possível classificá-las desse jeito, para se ouvir ou para dançar, ou música é música?
O simples poder da pergunta, quando bem exercida, tem um inegável valor social, permitindo aferir o comportamento dos agentes políticos e consolidar o exercício da dúvida. Portanto, fica a indagação.
E ao colocar a cidade de Picos como epicentro, consigo encontrar palavras intensas e hostis, talvez até histéricas e desoladamente machucada. Não tem mais quem agüente tanto show de Forró em um só local. Não querendo desmerecer o talento de ninguém, só que existem muitos e variados estilos que devem também ser apreciados e o público de mãos atadas espera que os promotores de shows de nossa cidade acabem tendo uma brilhante idéia, nem que seja nostálgica, ou leve, dando uma oportunidade para quem gosta de música diferenciada, e alternativa à ditadura do forró que se estabeleceu em nossa cidade há anos.
Apesar dos pesares... O ano de 2009 foi de muitas surpresas. No cenário musical, gratas surpresas. E não há como negar que em 2009 o ano foi das musas Monise Borges, Flavenildes Santana, Emanuelle Brandão e Elis Marina que parecem que encontraram de fato a alma do ouvinte. Há muito tempo não se via shows com tanto chame e romantismo – e esse é o grande diferencial do quarteto.
As talentosas cantoras picoenses durante o ano fizeram participações especiais nos show das outras, mas dividindo as músicas e cantando ao mesmo tempo foram excepcionais, e melhor cantando a boa e velha MPB, dando um “TIME” ao forró aleatório que se estabeleceu em nossa cidade.
Foram duas memoráveis edições até agora do Show Mulher. Que fez jus ao nome e disseminou das formas mais criativas e conscientes, transmitir mensagens que ultrapassam a preocupação de entreter os fãs nas pistas e que ampliam a consciência que música boa é arte alternativa. Agora é só aguardar o que nos está reservado para este ano. De uma coisa eu tenho certeza: O público determinou! Elas cantam muito.
Outra grande surpresa é o aguardado álbum, da banda picoense Metraton, que está a caminho e já tocando nas rádios. Pois depois de 11 anos na estrada, a banda de Rock entrou em estúdio para a gravação do seu primeiro CD, com musicas de autoria própria, trazendo influências de bandas como Sistem of Down, Pearl Jam, Capital Inicial, Barão Vermelho e Legião Urbana. Esse é considerado o primeiro trabalho oficial da banda, já que em 2001 eles haviam gravado um cd demonstrativo que foi de grande repercussão no cenário musical do Piauí.
A produção musical é da própria Banda. O líder Nilvan Neiva, surpreende mais uma vez mostrando todo o potencial do novo cd como batera. Segundo Nilvan Neiva ainda não há previsão de lançamento do CD.
Os músicos estão empolgado com o que estão fazendo, mas por razões óbvias não estão divulgando mais que isso, pois na verdade todos gostamos de surpresas, não é?.
A banda Metraton surgiu em 1998 na cidade de Picos dando seu pontapé inicial em um evento chamado Rock Point aberto ao publico alternativo e idealizado pela própria banda, espalhando a sua mensagem através do rock em Picos e todo Piauí.
Já a banda Dândi está registrando em versão demo, composições inéditas, no intuito de gravar um disco ainda esse ano. Após um hiato de sete anos, desde o lançamento do CD “Através Do Espelho”, de 2002 – no qual consta o hit “Alice” -, a banda parte para um trabalho mais pesado, musicalmente falando, com músicas puxadas por guitarras distorcidas e forte apelo sonoro. Com várias faixas escritas por Derico e Cínthia – algumas composições solo e outras em regime de parceria – no decorrer dos últimos seis anos, a escolha das que entrarão no disco será feita baseada no resultado sonoro desses registros.
Em 2006 o Dândi lançou um single com duas músicas “Deveras” – composição de Cínthia e participação vocal de Érika Martins; que selecionou a faixa para constar numa coletânea que será lançada em breve com o título “Curriculum” – e “Vinte Vezes”, e agora parte para um trabalho mais encorpado com a gravação de um CD full lenght, com repertório renovado e a apresentação de duas músicas inéditas que constam nesse belo trabalho intitulado “Tu ta onde?”.
E temos ainda a primeira banda de Reggae da macrorregião de Picos, na estrada desde julho de 2005, que continua cultivando paz e amizades, através de música e poesia, com composições como “Pé de moleque”, “Crazy-man”, “Faz de Conto”, “Anjo”, “Encontrei o amor” dentre outras, conquistando o público onde passa, usando a música para um bem comum.
Formada por Sherley Lima (voz / guitarra), Jefferson Sousa (guitarra solo), Ronney Quadros (contrabaixo), Alexandre (bateria), Wellington (trompete), a banda lançou um CD-demo com 05 músicas em 2006, dentre músicas próprias e covers, tocadas em clubes, rádios, praças, ruas de Picos, em festivais de música como Inhuma Rock (Inhuma do Piauí), Detona Rock (Santo Antônio de Lisboa) e mais 11 cidades ao redor, além de uma participação especial durante a Fina-Folia - evento realizado todos os anos em Santa Cruz do Piauí.
O primeiro CD (Evolução) traz 12 músicas próprias e está sendo divulgado durante o aniversário de 04 anos da banda, tendo por influências os trabalhos de Bob Marley, Jacob Muller, Peter Tosh, Tribo de Jah, O Rappa, Planta Raiz, Natiruts e outros gigantes do Reggae.
As músicas falam de afetos, contos, superação, cidades e encantos, os quais entram em sinergia e resultam em entretenimento e confraternização entre bairros, fruto da dedicação àquilo que se almeja, conquistas e glórias. Mostrando um estilo e um ideal de preservação da nossa cultura e raiz do nordeste, o grupo trás no CD uma música dedicada ao grande Guerreiro do sertão, Virgolino Lampião, onde se manifesta a consciência e dificuldades de onde se vem e pra onde se vai, lutando e lapidando caminhos em busca de objetivos e conclusões.
E assim nossos artistas vão arquitetando seus monólogos ao pé do ouvido. E fazendo arte. Sem apoio e focado em um ideal- entreter com responsabilidade, levando mensagens.
Entretanto Antene-se, pois nem tudo é festa.
Concordo também que o conceito cultural é relativo. Mas acredito na teoria, que o som que a pessoa, ouve diz muito sobre sua personalidade. E música é arte, e o conceito disso está ligado muito ao convívio social de cada um. Eu defendo a liberdade de escolha. Mas prefiro ainda Cazuza, que escutar forró de má qualidade no último volume!! Sinceramente, eu não acho isso totalmente correto, por que talvez nem todas as pessoas queiram escutar todo dia de manhã: " Quem é o gostosão daqui? Sou eu, sou eu, sou eu. Quem é o gostosão daqui? Sou eu, sou eu, sou eu.
E quero apelar até à solidariedade, não toquem isso perto de mim! Essa quantidade de informação descomunal (risos) que a mídia faz questão de nos impor diariamente será contaminada por milhares de pequenas, médias e grandes fontes não confiáveis.
E você, o que acha? Pode falar! Pois não pago pau pra ego. Não compre (também) as Mentiras, pois pergunte-se o que a velhice nos reserva?
Enfim. Que saudades do Cassino do Chacrinha! Que tinha como segredo, o improviso, coragem e muito humor. E dessa forma pleiteou o sucesso de grandes nomes da música desse país.
Incomode-se quem se incomodar. Este é o único poder dos jornalistas, perguntar e estimular a reflexão. E não se iludam: não existe mais nenhum.
Contudo, viva a longevidade da música e a anarquia da realidade das comunicações nesse incompreensível mundo do Universo Depois de Cristo.
Wallysson Bernardes
Jornalista e Historiador

24 de março de 2010 às 09:39
Concordo com vc. Sempre comento que a cultura do nosso país anda em baixa, não pelo fato de não não termos gente boa, mas pq a mídia cultua demasiadamente o "popular" para não dizer o vulgar. Felizmente vivemos numa época em q o cenário cultural, especificamente o musical, estava em voga e degustamos de muita coisa boa, o rock nacional em alta, poesia, MPB, enfim, são letras até hj tocadas e com mensagens (apesar de serem da década de 80) atuais.
Gosto do forró, mas não desse eletrônico e apelativo, mas o do Rei do Baião e seus seguidores. Estou muito feliz em saber q a nossa cidade Picos esteja com esse leque de opções interessantes e que esses artistas continuem produzindo e insistindo, pois com certeza a boa música sempre terá seu espaço.
Abraços meu amigo,