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Cada Processo hospeda uma vida




Todos se sentem "para baixo" de vez em quando, ou de alto astral às vezes e tais sentimentos são normais. Entretanto, de certa forma, existe a escolha, porque somos agentes preponderantes para nossos rumos. Ponto.

Portanto, sempre que começo a escrever um artigo sempre espero estar ajudando um amigo-leitor que hipoteticamente esteja deprimido, ou até mesmo com sentimento de pesar ou fracasso esperando dessa forma incentivar ou mesmo cobrar tentativas de reagir, distrair-se, de se divertir para superar os sentimentos negativos. Uma verdadeira busca de transformação, ou melhor, na busca de escolhas. Mas sei que as tormentas de um, não se comparam às tormentas do outro, nem os dias de sol de um, se comparam com os dias de sol do outro. Existem semelhanças, mas a manifestação final é muito diferente.

E como escreveu Guimarães Rosa certa vez, “pãos ou pães, é questão de opiniães”. Sempre penso nisso ao falar de política. E a sensação de desconforto é quase inevitável. E quando abro um bom dicionário, dificilmente encontro uma palavra que já não tenha sido usada, mas a que convém neste momento é - descrédito.

Depois de experimentar toda a acidez e o humor negro dos “homens de gravata que decidem os rumos desse país”, mesmo sendo sensível e politicamente correto, acabo em um pronto-socorro.

Quando falo de política o pessimismo sempre me toma conta. Mas, ainda prefiro, penso e acredito nas pessoas. Pensava isso ser virtude, mas nos dias de hoje, parece mesmo que devemos sempre duvidar da dúvida, e neste momento a persistência de pensamentos negativos voltam. Porque a cada dia fica mais difícil acreditar nos políticos e pior na mudança de comportamento dos eleitores.

Nossos adolescentes estão calados. Amordaçados dentro de uma realidade jamais vista. E é ai onde me pergunto, o que fizeram com a rebeldia adolescente? Que ia as ruas tentando mudar os rumos desse país.
Às vezes penso que estou com sintomas de depressão, pois ela se caracteriza por afetar o estado de humor da pessoa, deixando-a com um predomínio anormal de tristeza. Mas, de repente, não mais que de repente, cheguei à conclusão de que é apenas tristeza mesmo e pior, revolta, porque nada estar valendo à pena.

Para mim parece pouco. Pois quantas e quantas vezes somos bombardeados com noticias que vereadores e prefeitos que foram cassados por captação de recursos considerados ilícitos na campanha eleitoral, e nada é feito.

Das duas uma: ou vivemos mesmo num país de fantasias, onde nada é feito e a impunidade é soberana, ou temos um povo ignorante, e jovens incapazes de compreender e capitalizar que todos os dias somos roubados descaradamente.

Está difícil enxergar futuro na adolescência que observo hoje, cada vez mais dominada, cada vez mais apática, acatando ordens insanas como se justas fossem, ouvindo músicas melosas que apenas falam sobre amores não correspondidos e músicas grotescas que incitam o sexo sem cuidados. Segue o exemplo, cantado em alto e bom som durante o último carnaval: “Eu sou o lobo mau, hau, hau (...) E o que você vai fazer, HAAAAAAA, vou te comer, vou te comer, vou te comer,vou te comer, vou te comer, vou te comer”.
Sinto informar aos amigos a hipótese, cada vez mais difícil acreditar na existência de um país, onde haja cultura de verdade e com governantes comprometidos com os anseios do povo. Está ficando difícil acreditar.

Acho que nasci na época errada. Penso como antigamente. Sinto saudades de uma época que não vivi. Sinto saudades dos anos dourados. Onde o sonho ainda não havia sido desfeito, havia o cinema novo, o romantismo mesclado com o modernismo. As horas dançantes eram animadas ao som das grandes orquestras, os Beatles construíam um mundo encantado, éramos campeões do mundo em futebol, romantismo, bossa nova. O amor era mais intenso, os movimentos feministas, os movimentos civis em favor dos negros, tinham uma luta de verdade. Não essas políticas públicas que ai está fadado ao descrédito.
Parece que foi ontem, mas já se passaram quarenta e tantos anos!

O jovem hoje necessita de uma interação social que leve ao “ignorar de conselhos”, das más influências. É um processo longo de aprendizado, principalmente de vida, do tipo que nos faz olhar para trás e dar gargalhada das loucuras cometidas, mas com a consciência de que foi espetacular.

Parece que os “jovens” não querem saber da política; mas, tanto quanto se vê, a classe política tão-pouco quer nada com eles.

Talvez eu negue a esperança, para trocar pelos meus pensamentos! Talvez amanhã acorde bem e bola para frente. Talvez.

Acho que talvez também esteja sendo até injusto. Mais ao final desse texto acho que não devo culpar tanto os jovens, o problema é bem mais crônico. Porque para mim o sonho é o que você quer. Para realizar um sonho é preciso acreditar que você conseguirá, apesar das dificuldades. Pois, provar para as pessoas que somos capazes, é para os fracos. Passei boa parte do tempo tentando provar para os outros minha capacidade. E percebi que o importante é provar para “mim mesmo”.

Enfim, amigos, hoje, amanheci triste. É muito difícil isso acontecer, eu prezo sempre pelo bom humor e pela graça na vida. Hoje me dei o direito de ficar triste. Não estou com pena de mim, nem me sentindo o pior dos seres viventes, apenas estou triste. Não vou viver uma eterna tristeza, nem um dia totalmente triste. Ela tem que passar, não pode ficar crônica nem atrapalhar minha vida diária. Apesar de ser duro encarar. Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...

Como também sei que cada processo hospeda uma vida, mas que fique a lição quebrem tudo, lutem pelo que acreditam, levantem essas merdas dessas orelhas. Em resumo, quem no Brasil de hoje é desinteressado em política compromete seriamente seu próprio futuro.

Encerro afirmando que o sonho ainda comanda a minha vida. Pois encaro a política como assunto sério, reconheço sua importância e acompanho o processo de perto. Acredito ainda em um ideal e a força para tornar minha cidade um lugar melhor e trabalhar em conjunto de inúmeras maneiras para fazer diferença. Mesmo sabendo que o Brasil não é um país politicamente correto (mensalão; cuecão; dizimão; surubão; sanguessuga, salário mínimo, bem mínimo; aposentados; pensionistas, emprego informal etc.).

E admito já fiz muitas coisas que hoje categorizo na lista das imbecilidades durante a vida. Mas o que seria dos acertos sem os erros? Contudo, no meio de uma vida onde erramos e acertamos, onde deve ficar encaixado o arrependimento?

Por isso, penso e quero mudança. Na verdade todos deveriam querer. Mas não só querer tem que fazer. Quero as coisas diferentes porquê não vejo mais sentido nessa política que ai está. Não importa onde você parou… em que momento da vida você cansou… o que importa é que sempre é possível e necessário “Recomeçar”.
Lembrando que muitos sãos os desafios, mais não esqueça quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando.

Agora me falem a verdade, acordar sabendo que o Armazém Paraíba pode governar meu Estado, não tem como não ficar triste. Ponto Final.

Wallysson Bernardes
Jornalista e Historiador

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