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O incompreensível mundo do Universo D.C.



Algumas vezes fui repreendido e muitas vezes mal compreendido por gostar bastante de arte alternativa. Busco em cada trabalho retratar uma maneira jovem e pensadora a respeito da vida, e socializar as questões do ontem e hoje. Pois chega de instalações, chega de arte pseudoconceitual, chega de dirigismos! E vamos parar de encher lingüiça.

Gostaria hoje falar de música. Pois ininterruptamente considerei que música boa tem sempre espaço em qualquer lugar. E o bom disso tudo é que o nosso patrimônio artístico e cultural picoense continua produzindo e muito bem, e sem qualquer apoio ou incentivo, diga-se de passagem. E espero que os talentos em gestação que hão de prolongar a sua vitalidade, continuem produzindo. Mesmo sabendo que no Brasil e especial Picos há poucas alternativas para o contato com a Arte.

Sou cria da MTV - querida emissora, que um dia me fez conhecer perolas musicais, incluindo compositores e artistas nacional e internacionalmente conhecidos. Onde era fácil ver Guns N´Roses, Duran Duran, Simple Minds, Ramones, Madonna, Michael Jackson, Engenheiros do Hawaii, Titãs, Paralamas do Sucesso, entre outros na programação diária, junto e misturado. Onde vi Marina, Caetano, Lulu Santos e João Gilberto e o maior poeta da geração 80 - Cazuza. A emissora em que apreciava os desenhos alternativos, como Beavis e Butt-head, Garoto Enxaqueca e até o maravilhoso e consagrado Simpsons. Programas de Rap samba, de shows, de cinema, de entrevista, enfim, de muita coisa. Ás vezes necessitava dela como precisava da revista ShowBizz, às vezes apenas para ver por ver, mais com certeza sempre me lembro dela como algo pra fazer quando não tenho nada a fazer.

Mesmo morando numa província, pois nunca a MTV foi aberta aqui, mas em todas as minhas viagens ou quando estudava em Teresina, Fortaleza e Recife, eu ficava ligado o máximo de tempo possível pra aproveitar aquela chuva de música e ficava encantado e espantado com a profundidade do envolvimento de um exótico Brasil cheio de cultura, musicalmente falando, deste jazz, blues, samba e ska.

E meu maior arrependimento como audiófilo foi ter demorado a descobrir as maravilhas da soul music, que atualmente animam meus fins de semana, quando estou em casa escrevendo.

Por isso que eu hoje compreendo os meninos radicais que ligam para a rádio “xingando” o que não é do gosto deles. A maior lição, porém, é outra: Tentem levar à sério, quando o assunto é Cultura.

Lembro ainda quando ganhei minha primeira revista especializada no assunto, ela que virou sinônimo de música no Brasil e já foi relançada três vezes. Deixou de ser uma publicação mensal em 2007 para se transformar num selo de projetos especiais relacionados à música. A SHowbizz entrou em minha vida quando o país vivia a explosão do chamado "Rock Brasil", com jovens bandas alcançando o estrelato a bordo de sucessos massivos nas FMs e de um bem-azeitado circuito de shows (nas danceterias). Pela primeira vez, se falava em "público jovem" no Brasil, cultura abafada por 20 anos de ditadura militar.

E a própria revista em seu release conta isso. Quando afirma o que quero explicar nesse texto: “As redes de FM eram uma realidade - durante o governo de José Sarney, foram distribuídas 958 concessões, uma por quinzena -, o que solidificaria rapidamente a prática do jabaculê. A aposta das gravadoras passa a ser os chamados "artistas bregas", como Rosana, Chitãozinho & Xororó e Leandro & Leonardo, e a lambada de Reflexu's da Mãe África, Beto Barbosa e Sara Jane. Em maio de 1990, com a estréia da MTV Brasil, há um maior interesse de toda a mídia nacional em artistas estrangeiros. A segunda edição do Rock in Rio, em janeiro de 1991, é toda pautada por artistas em alta-rotação na emissora, como Guns N'Roses, New Kids on The Block e Faith no More, já em 1993 a matéria de capa revela a preocupação da revista com a renovação do cenário brasileiro: "A nova MPB", com artistas então desconhecidos como Carlinhos Brown, Skank e Okotô”, diz o texto. E acrescento que havia letras cruas, diretas, criticando a situação do mundo e tomando as rádios de surpresa.

Por isso citei a MTV e lembro bem que quando, morava em Recife, as rádios e principalmente a MTV começou a mostrar um som novo, misturando guitarras distorcidas com tambores e muita gente torceu o nariz, típico do público brasileiro. Mas à medida que Chico Science ia cantando as coisas mudaram. Quem conhece, sabe do que estou falando e vai entender nas entrelinhas a mensagem que esse poeta nos deixou: “Ô Josué, eu nunca ví tamanha desgraça, Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça”.

Junto da Nação Zumbi, Chico Science foi responsável por uma grande virada na música nacional, afinal nos anos 80 as bandas faziam rock, e nos 90 cada um misturava o que dava, e com eles foi o pontapé inicial.
Portanto, a dica é procurar entender a MPB, muita gente até hoje tem um preconceito enorme, mas ao entender, vai ver que ela é simplesmente igual a mim e igual a você.

Enfim saudosista que sou, adorei recordar os bons tempos e esse é um pouco, mas pouco mesmo dessa história sombria. Quando digo sombria, observo que o mercado publicitário passa por um superaquecimento, com a criação de toda uma gama de produtos e serviços direcionados ao público jovem, sem se importar com esse jovem. Para dar vazão a publicações direcionadas ao lucro pelo lucro, quantidade, sem qualidade. E assim gerações são perdidas. Espero que o meu sucessor, anos depois não venha escrever artigo falando do Rebolexionnnnn, como arte alternativa do ano de 2010. Fica a reflexão.

Reafirmo que sempre fui absurdamente popular, desprovido até de princípios básicos. Minha afinidade com o ecletismo, tanto musical, como espiritual, me trouxe novos sons e estilos. Pois creio que meu conceito microcósmico sendo evidenciada no mundo macrocósmico se estende ao falar de música, que reflete a frase de Mahatma Gandhi: “Você tem que ser a mudança que quer ver no mundo”.

E mesmo confessando a vocês esse meu lado enorme, supersólido, planetário, de alcance emocional, confesso que está difícil escutar o que estão produzindo Brasil a fora atualmente, pois garanto algumas que tem essa "suposta" pobreza de criatividade são feitas para que as pessoas acabem dançando. Será que é possível classificá-las desse jeito, para se ouvir ou para dançar, ou música é música?

O simples poder da pergunta, quando bem exercida, tem um inegável valor social, permitindo aferir o comportamento dos agentes políticos e consolidar o exercício da dúvida. Portanto, fica a indagação.

E ao colocar a cidade de Picos como epicentro, consigo encontrar palavras intensas e hostis, talvez até histéricas e desoladamente machucada. Não tem mais quem agüente tanto show de Forró em um só local. Não querendo desmerecer o talento de ninguém, só que existem muitos e variados estilos que devem também ser apreciados e o público de mãos atadas espera que os promotores de shows de nossa cidade acabem tendo uma brilhante idéia, nem que seja nostálgica, ou leve, dando uma oportunidade para quem gosta de música diferenciada, e alternativa à ditadura do forró que se estabeleceu em nossa cidade há anos.
Apesar dos pesares... O ano de 2009 foi de muitas surpresas. No cenário musical, gratas surpresas. E não há como negar que em 2009 o ano foi das musas Monise Borges, Flavenildes Santana, Emanuelle Brandão e Elis Marina que parecem que encontraram de fato a alma do ouvinte. Há muito tempo não se via shows com tanto chame e romantismo – e esse é o grande diferencial do quarteto.

As talentosas cantoras picoenses durante o ano fizeram participações especiais nos show das outras, mas dividindo as músicas e cantando ao mesmo tempo foram excepcionais, e melhor cantando a boa e velha MPB, dando um “TIME” ao forró aleatório que se estabeleceu em nossa cidade.

Foram duas memoráveis edições até agora do Show Mulher. Que fez jus ao nome e disseminou das formas mais criativas e conscientes, transmitir mensagens que ultrapassam a preocupação de entreter os fãs nas pistas e que ampliam a consciência que música boa é arte alternativa. Agora é só aguardar o que nos está reservado para este ano. De uma coisa eu tenho certeza: O público determinou! Elas cantam muito.

Outra grande surpresa é o aguardado álbum, da banda picoense Metraton, que está a caminho e já tocando nas rádios. Pois depois de 11 anos na estrada, a banda de Rock entrou em estúdio para a gravação do seu primeiro CD, com musicas de autoria própria, trazendo influências de bandas como Sistem of Down, Pearl Jam, Capital Inicial, Barão Vermelho e Legião Urbana. Esse é considerado o primeiro trabalho oficial da banda, já que em 2001 eles haviam gravado um cd demonstrativo que foi de grande repercussão no cenário musical do Piauí.

A produção musical é da própria Banda. O líder Nilvan Neiva, surpreende mais uma vez mostrando todo o potencial do novo cd como batera. Segundo Nilvan Neiva ainda não há previsão de lançamento do CD.

Os músicos estão empolgado com o que estão fazendo, mas por razões óbvias não estão divulgando mais que isso, pois na verdade todos gostamos de surpresas, não é?.

A banda Metraton surgiu em 1998 na cidade de Picos dando seu pontapé inicial em um evento chamado Rock Point aberto ao publico alternativo e idealizado pela própria banda, espalhando a sua mensagem através do rock em Picos e todo Piauí.

Já a banda Dândi está registrando em versão demo, composições inéditas, no intuito de gravar um disco ainda esse ano. Após um hiato de sete anos, desde o lançamento do CD “Através Do Espelho”, de 2002 – no qual consta o hit “Alice” -, a banda parte para um trabalho mais pesado, musicalmente falando, com músicas puxadas por guitarras distorcidas e forte apelo sonoro. Com várias faixas escritas por Derico e Cínthia – algumas composições solo e outras em regime de parceria – no decorrer dos últimos seis anos, a escolha das que entrarão no disco será feita baseada no resultado sonoro desses registros.

Em 2006 o Dândi lançou um single com duas músicas “Deveras” – composição de Cínthia e participação vocal de Érika Martins; que selecionou a faixa para constar numa coletânea que será lançada em breve com o título “Curriculum” – e “Vinte Vezes”, e agora parte para um trabalho mais encorpado com a gravação de um CD full lenght, com repertório renovado e a apresentação de duas músicas inéditas que constam nesse belo trabalho intitulado “Tu ta onde?”.

E temos ainda a primeira banda de Reggae da macrorregião de Picos, na estrada desde julho de 2005, que continua cultivando paz e amizades, através de música e poesia, com composições como “Pé de moleque”, “Crazy-man”, “Faz de Conto”, “Anjo”, “Encontrei o amor” dentre outras, conquistando o público onde passa, usando a música para um bem comum.

Formada por Sherley Lima (voz / guitarra), Jefferson Sousa (guitarra solo), Ronney Quadros (contrabaixo), Alexandre (bateria), Wellington (trompete), a banda lançou um CD-demo com 05 músicas em 2006, dentre músicas próprias e covers, tocadas em clubes, rádios, praças, ruas de Picos, em festivais de música como Inhuma Rock (Inhuma do Piauí), Detona Rock (Santo Antônio de Lisboa) e mais 11 cidades ao redor, além de uma participação especial durante a Fina-Folia - evento realizado todos os anos em Santa Cruz do Piauí.

O primeiro CD (Evolução) traz 12 músicas próprias e está sendo divulgado durante o aniversário de 04 anos da banda, tendo por influências os trabalhos de Bob Marley, Jacob Muller, Peter Tosh, Tribo de Jah, O Rappa, Planta Raiz, Natiruts e outros gigantes do Reggae.

As músicas falam de afetos, contos, superação, cidades e encantos, os quais entram em sinergia e resultam em entretenimento e confraternização entre bairros, fruto da dedicação àquilo que se almeja, conquistas e glórias. Mostrando um estilo e um ideal de preservação da nossa cultura e raiz do nordeste, o grupo trás no CD uma música dedicada ao grande Guerreiro do sertão, Virgolino Lampião, onde se manifesta a consciência e dificuldades de onde se vem e pra onde se vai, lutando e lapidando caminhos em busca de objetivos e conclusões.

E assim nossos artistas vão arquitetando seus monólogos ao pé do ouvido. E fazendo arte. Sem apoio e focado em um ideal- entreter com responsabilidade, levando mensagens.

Entretanto Antene-se, pois nem tudo é festa.

Concordo também que o conceito cultural é relativo. Mas acredito na teoria, que o som que a pessoa, ouve diz muito sobre sua personalidade. E música é arte, e o conceito disso está ligado muito ao convívio social de cada um. Eu defendo a liberdade de escolha. Mas prefiro ainda Cazuza, que escutar forró de má qualidade no último volume!! Sinceramente, eu não acho isso totalmente correto, por que talvez nem todas as pessoas queiram escutar todo dia de manhã: " Quem é o gostosão daqui? Sou eu, sou eu, sou eu. Quem é o gostosão daqui? Sou eu, sou eu, sou eu.

E quero apelar até à solidariedade, não toquem isso perto de mim! Essa quantidade de informação descomunal (risos) que a mídia faz questão de nos impor diariamente será contaminada por milhares de pequenas, médias e grandes fontes não confiáveis.

E você, o que acha? Pode falar! Pois não pago pau pra ego. Não compre (também) as Mentiras, pois pergunte-se o que a velhice nos reserva?

Enfim. Que saudades do Cassino do Chacrinha! Que tinha como segredo, o improviso, coragem e muito humor. E dessa forma pleiteou o sucesso de grandes nomes da música desse país.

Incomode-se quem se incomodar. Este é o único poder dos jornalistas, perguntar e estimular a reflexão. E não se iludam: não existe mais nenhum.

Contudo, viva a longevidade da música e a anarquia da realidade das comunicações nesse incompreensível mundo do Universo Depois de Cristo.

Wallysson Bernardes
Jornalista e Historiador

Pensar enlouquece, pense nisso!

00:27 Postado por J292 0 comentários



Neste começo de ano resolvi fazer algo diferente. Depois de admiráveis sete anos trabalhando como repórter, editor-chefe e assessor de imprensa, resolvi “tirar férias”. Ao invés de publicar reportagens ou conduzir um jornal, na verdade eu estava precisando era mesmo de uma retrospectiva pessoal, portanto decidi.

Enquanto muitas pessoas ao final de um ano elevam preces pedindo riqueza e prosperidade, o meu único pedido naquela ocasião era de um tempo só para mim, pois era fundamental e mais valioso do que qualquer outro bem, que possa existir. Eram minhas férias.

Logo de cara me dei conta que haveria um número bem expressivo de coisas a se fazer e melhor prazeres insólitos. Pensava muito em diversão. Mas, para entrar com o pique todo, pensei em algumas questões que podem ser seguidas. Entre elas, a organização do tempo. Pois, é comum ouvirmos a expressão: “não dá. Não tenho tempo”. Mas na verdade, tempo é o que não nos falta. Temos 24 horas por dia e precisamos saber aproveitá-las. Então, o que temos são as chamadas prioridades.

Após organizar o tempo, decidi que também eu iria fazer coisas proveitosas como ler um bom livro e separei em minha pequena e humilde biblioteca – O Tratado da Correção do Intelecto do holandês Baruch Spinoza. Também coloquei como metas, sorrir de coisas banais, rever velhos conhecidos e conhecer novas pessoas, ler livros de poesia e me divertir com histórias em quadrinho, colocar sonhos absurdos em minha lista de tarefas e vibrar a cada pequena conquista. ]

Contudo, de cara me veio um bloqueio criativo. Eu, que por tantas vezes me vi diante de um papel em branco ou de um documento no Word relatando em reportagem o que aconteceu e que viria a acontecer em Picos e região, fiquei sem saber o que estava por vim. O problema nem foi de falta de idéias; elas surgem aos borbotões. O grande drama, ao menos para mim, estava em me organizar a fim de alinhar todos os impulsos criativos de como seria esse passatempo.

Como bom cinéfilo que sou, pensei também em ver um bom filme. De cara, logo veio uma sensação que detesto - a emoção que ocorre nas situações onde algo obstrui de alcançar um objetivo pessoal – a Frustração.

Poxa já não existe o Cine Spark que conheci e vivenciei os últimos dias de seu apogeu, da Praça Félix Pacheco, ponto de encontro da juventude picoense até os anos 90, hoje o ponto mudou-se de endereço para “Praça de alimentação”, na confluência das ruas Olavo Bilac com Monsenhor Hipólito.

Poxa. Minha cidade que têm quase 100 mil habitantes, uma importância histórica e econômica de relevância e não tem um cinema! Pior nem Teatro e é bom lembrar que a população aqui nunca viu uma peça de teatro, apesar do grande esforço e belo trabalho dos atores e diretores picoenses. A principal diversão em Picos é caminhar, olhar as pessoas (falar das pessoas, mau de preferência), sentar no banco e assistir à vida passar. A mais pura frustração cultural que se multiplica pelo país.

Daí fui pesquisar e descobri que mais da metade dos municípios brasileiros não contam com qualquer programa de cultura bancado pelo poder público nem com instituições que ofereçam entretenimento de graça. O dado consta de levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os dois estados mais ricos são justamente os que mais centralizam a oferta de cultura gratuita. E de cada 100 municípios brasileiros, 98 não têm salas públicas de cinema, nem centros culturais. E 83 deles não possuem salas de espetáculos ou teatros que pertençam ao município.

Ou seja, levar programa de cultura gratuito para a população que mora no interior é o grande desafio do próximo presidente e do nosso futuro Governador. Pois, precisaria avançar para o Estado e o país se transformar em uma grande nação onde o conhecimento e a cultura se transformam no principal ativo na sociedade do conhecimento. Pense nisso e cobre, eu vou cobrar!

E se partirmos do principio que o acesso a produção cultural no nosso país é totalmente defasado, faz sentido dar um incentivo à população. Mas realmente não consigo acreditar que seja realmente esse o motivo. Acho que tem mais haver com o lance de deixar o povo à deriva mesmo. Sempre utilizar a velha política do "pão e circo". Assim como um mágico que tira tudo - suas ilusões, seus sonhos, sua vida - do vazio da cartola.

Enfim. Não tem cinema nem teatro na minha cidade. Novamente a angústia aparece com uma tal confusão. Muito antes, perpassa-a uma estranha intranqüilidade.
E agora o que fazer?

Um amigo me respondeu.

- Wallysson "E como Picos não tem mar, a gente vai pro bar".

Ouvindo atentamente o mesmo, não posso negar que num certo momento fui tomado por uma imensa e insana fúria (raiva mesmo acredite). Pois, nessas horas confesso que só a paciência e a tolerância não bastam. Mas sempre é bom escutar pessoas assim, com sensibilidade acima da média.
E Caro amigo desculpe minha intromissão, mais tem razão.

A verdade é que temos tantos problemas em nossa cidade a serem resolvidos, e que não são poucos, e também sei que não é da noite para o dia que se fará isso.

Dias depois, outra meta veio “Por Água Abaixo”. Vou tentar o Esporte, ou ir a um Parque. Como? Minha cidade não tem ginásio de esportes, para promover jogos, muito menos Parque Natural. Até estão reformando uma quadra na Zona Leste (depois de anos e anos parado a construção), mais fica a reflexão, depois ficará fechada, só sendo usada em determinados dias, ou em ano eleitoral? Pense nisso!

Moro em Picos desde sempre, tipo três décadas e até hoje estamos eu e toda a comunidade esperando, para que nossos filhos tenham mais liberdade para brincar, e não tenham que se espremer entre carros e bicicletas, brincando no meio da rua como acontece sempre. E pior que sei que eles (os homens de gravata) irão bater a porta em época de eleição e na hora tudo irão fazer para contornar isso, mas que na verdade fazem disso pouco caso!

Continuei pensando. E me perguntei, que tal um clube? O primeiro que veio em mente foi o Samambaia Campestre Clube (diga-se de passagem in memorian). Em ruínas mesmo. Pior é que até agora, ainda não se ouve falar em qualquer baile de carnaval. Alguns anos atrás os convites para as festas carnavalescas eram disputadas no tapa. Bons tempos...

Amigo leitor, espero que entendam a minha cólera e peço desculpas a quem possa ter ofendido, mas, estou farto de tantas irregularidades em nossa cidade, seja ela política, seja ela administrativa. E acreditem, não tenho sangue de barata!

Volta e meia eu paro e penso qual cidade que quero deixar para meus filhos. Talvez você me ache um profundo ingênuo, mas se eu citar sociedades que conseguiram construir relacionamentos marcados por maior liberdade e segurança e índices menores de violência e corrupção você apresentará uma série de argumentos para justificar o porque delas conseguirem e nós não. Mesmo assim quero deixar claro que não estou tentando matar a faísca de esperança que ainda brilha em seu coração.

Enfim: "Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas (necessidades materiais) vos serão acrescentadas" (Mateus 6:33).

E as minhas férias podem ter chegado ao fim. Após muitas discussões e uma rasteira, cheguei na conclusão que um artigo, é pouco para escrever sob o ponto de vista do são entendimento humano, o “mundo às avessas’.

Agradeço a Deus, todos os dias, pela oportunidade que Ele me ofereceu de ser feliz. Só desejo que esta felicidade seja duradoura e não apenas "infinita enquanto dure".

Quanto ao fato em si, obtive uma conclusão unânime entre os acontecimentos e achei digno procurar outra diversão.

E por falar em férias...férias de jornalista é uma coisa de louco mesmo. Mas uma das prioridades, havia deixado reservada. E na lista lá estava. Era meu tempinho para os estudos em casa.
Organizei novamente a importância dessa tarefa.

Encontrei o ambiente certo para estudar: encontrei um lugar sem ruídos externos, sem tentações e distração, dentro das minhas limitações. E fui ler Baruch Spinoza ou simplesmente Espinosa. E ele me ensinou como Descartes, onde fala que temos a noção clara do que é verdade, pois ela é certa e suprime toda a dúvida. Spinoza fala que o bem e o mal são pareceres, que só existem nas relações. Mas reconhece como bom e na Ética, diz que certas coisas nos são agradáveis, e nos esforçamos para que elas sejam frequentes. Mas uma coisa tomada em si não nem boa nem má.

Dias depois, experimentei ouvir música: para algumas pessoas, a música pode ajudar na memorização; acordei cedo, tendo mais tempo para realizar compromissos, tomei nota à mão conceitos interessantes, passei a limpo anotações, procurei encontrar padrões e pontos em comum entre cada um dos tópicos dos meus estudos, e associei a imagens claras e vívidas; e por fim escrevi este artigo.

Se o humor político tem um quê de vingança, sem nos dar opções de lazer, que esse artigo tenha um quê de carrasco. Isto é o que prometi tratar nesta primeira parte. Mas, para não omitir nada do que pode levar ao conhecimento do intelecto e a suas forças, direi ainda pouca coisa da memória e do esquecimento.

Ao pensar, lembrei que sou classificado pelo número de minha Carteira de Identidade, filho de um país que eu não escolhi. Cria de uma República onde governa o Silêncio. Com políticos que me envergonham, acobertados por um reles voto anônimo. Quem de nós, quando criança, ou nos momentos de decepção com este mundo cheio de loucuras, não desejou ser um náufrago, na solidão de uma ilha do Pacífico, tal como Robinson Crusoé?

Serei eu apenas uma estatística que assiste à TV, consome e respira? Serei, como dizia Roquentin, aquele personagem de Sartre, "um existente que nasce sem motivo, dura por fraqueza e morre por acaso"? Afinal quem você é?

Pense nisso!!! Enquanto tiro minhas férias para estudar.

"Viva la Vida" e Carpe Diem com responsabilidade.

Wallysson Bernardes
Jornalista e Historiador

Cada Processo hospeda uma vida




Todos se sentem "para baixo" de vez em quando, ou de alto astral às vezes e tais sentimentos são normais. Entretanto, de certa forma, existe a escolha, porque somos agentes preponderantes para nossos rumos. Ponto.

Portanto, sempre que começo a escrever um artigo sempre espero estar ajudando um amigo-leitor que hipoteticamente esteja deprimido, ou até mesmo com sentimento de pesar ou fracasso esperando dessa forma incentivar ou mesmo cobrar tentativas de reagir, distrair-se, de se divertir para superar os sentimentos negativos. Uma verdadeira busca de transformação, ou melhor, na busca de escolhas. Mas sei que as tormentas de um, não se comparam às tormentas do outro, nem os dias de sol de um, se comparam com os dias de sol do outro. Existem semelhanças, mas a manifestação final é muito diferente.

E como escreveu Guimarães Rosa certa vez, “pãos ou pães, é questão de opiniães”. Sempre penso nisso ao falar de política. E a sensação de desconforto é quase inevitável. E quando abro um bom dicionário, dificilmente encontro uma palavra que já não tenha sido usada, mas a que convém neste momento é - descrédito.

Depois de experimentar toda a acidez e o humor negro dos “homens de gravata que decidem os rumos desse país”, mesmo sendo sensível e politicamente correto, acabo em um pronto-socorro.

Quando falo de política o pessimismo sempre me toma conta. Mas, ainda prefiro, penso e acredito nas pessoas. Pensava isso ser virtude, mas nos dias de hoje, parece mesmo que devemos sempre duvidar da dúvida, e neste momento a persistência de pensamentos negativos voltam. Porque a cada dia fica mais difícil acreditar nos políticos e pior na mudança de comportamento dos eleitores.

Nossos adolescentes estão calados. Amordaçados dentro de uma realidade jamais vista. E é ai onde me pergunto, o que fizeram com a rebeldia adolescente? Que ia as ruas tentando mudar os rumos desse país.
Às vezes penso que estou com sintomas de depressão, pois ela se caracteriza por afetar o estado de humor da pessoa, deixando-a com um predomínio anormal de tristeza. Mas, de repente, não mais que de repente, cheguei à conclusão de que é apenas tristeza mesmo e pior, revolta, porque nada estar valendo à pena.

Para mim parece pouco. Pois quantas e quantas vezes somos bombardeados com noticias que vereadores e prefeitos que foram cassados por captação de recursos considerados ilícitos na campanha eleitoral, e nada é feito.

Das duas uma: ou vivemos mesmo num país de fantasias, onde nada é feito e a impunidade é soberana, ou temos um povo ignorante, e jovens incapazes de compreender e capitalizar que todos os dias somos roubados descaradamente.

Está difícil enxergar futuro na adolescência que observo hoje, cada vez mais dominada, cada vez mais apática, acatando ordens insanas como se justas fossem, ouvindo músicas melosas que apenas falam sobre amores não correspondidos e músicas grotescas que incitam o sexo sem cuidados. Segue o exemplo, cantado em alto e bom som durante o último carnaval: “Eu sou o lobo mau, hau, hau (...) E o que você vai fazer, HAAAAAAA, vou te comer, vou te comer, vou te comer,vou te comer, vou te comer, vou te comer”.
Sinto informar aos amigos a hipótese, cada vez mais difícil acreditar na existência de um país, onde haja cultura de verdade e com governantes comprometidos com os anseios do povo. Está ficando difícil acreditar.

Acho que nasci na época errada. Penso como antigamente. Sinto saudades de uma época que não vivi. Sinto saudades dos anos dourados. Onde o sonho ainda não havia sido desfeito, havia o cinema novo, o romantismo mesclado com o modernismo. As horas dançantes eram animadas ao som das grandes orquestras, os Beatles construíam um mundo encantado, éramos campeões do mundo em futebol, romantismo, bossa nova. O amor era mais intenso, os movimentos feministas, os movimentos civis em favor dos negros, tinham uma luta de verdade. Não essas políticas públicas que ai está fadado ao descrédito.
Parece que foi ontem, mas já se passaram quarenta e tantos anos!

O jovem hoje necessita de uma interação social que leve ao “ignorar de conselhos”, das más influências. É um processo longo de aprendizado, principalmente de vida, do tipo que nos faz olhar para trás e dar gargalhada das loucuras cometidas, mas com a consciência de que foi espetacular.

Parece que os “jovens” não querem saber da política; mas, tanto quanto se vê, a classe política tão-pouco quer nada com eles.

Talvez eu negue a esperança, para trocar pelos meus pensamentos! Talvez amanhã acorde bem e bola para frente. Talvez.

Acho que talvez também esteja sendo até injusto. Mais ao final desse texto acho que não devo culpar tanto os jovens, o problema é bem mais crônico. Porque para mim o sonho é o que você quer. Para realizar um sonho é preciso acreditar que você conseguirá, apesar das dificuldades. Pois, provar para as pessoas que somos capazes, é para os fracos. Passei boa parte do tempo tentando provar para os outros minha capacidade. E percebi que o importante é provar para “mim mesmo”.

Enfim, amigos, hoje, amanheci triste. É muito difícil isso acontecer, eu prezo sempre pelo bom humor e pela graça na vida. Hoje me dei o direito de ficar triste. Não estou com pena de mim, nem me sentindo o pior dos seres viventes, apenas estou triste. Não vou viver uma eterna tristeza, nem um dia totalmente triste. Ela tem que passar, não pode ficar crônica nem atrapalhar minha vida diária. Apesar de ser duro encarar. Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...

Como também sei que cada processo hospeda uma vida, mas que fique a lição quebrem tudo, lutem pelo que acreditam, levantem essas merdas dessas orelhas. Em resumo, quem no Brasil de hoje é desinteressado em política compromete seriamente seu próprio futuro.

Encerro afirmando que o sonho ainda comanda a minha vida. Pois encaro a política como assunto sério, reconheço sua importância e acompanho o processo de perto. Acredito ainda em um ideal e a força para tornar minha cidade um lugar melhor e trabalhar em conjunto de inúmeras maneiras para fazer diferença. Mesmo sabendo que o Brasil não é um país politicamente correto (mensalão; cuecão; dizimão; surubão; sanguessuga, salário mínimo, bem mínimo; aposentados; pensionistas, emprego informal etc.).

E admito já fiz muitas coisas que hoje categorizo na lista das imbecilidades durante a vida. Mas o que seria dos acertos sem os erros? Contudo, no meio de uma vida onde erramos e acertamos, onde deve ficar encaixado o arrependimento?

Por isso, penso e quero mudança. Na verdade todos deveriam querer. Mas não só querer tem que fazer. Quero as coisas diferentes porquê não vejo mais sentido nessa política que ai está. Não importa onde você parou… em que momento da vida você cansou… o que importa é que sempre é possível e necessário “Recomeçar”.
Lembrando que muitos sãos os desafios, mais não esqueça quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando.

Agora me falem a verdade, acordar sabendo que o Armazém Paraíba pode governar meu Estado, não tem como não ficar triste. Ponto Final.

Wallysson Bernardes
Jornalista e Historiador